Lugares Sagrados–6ª Série–Texto 1–4º Bimestre

Os lugares sagrados compõem a dimensão da materialidade do sagrado, pois reúnem aspectos físicos que orientam a paisagem religiosa. Pode-se observar que muitas pessoas, de diferentes religiões, estabelecem lugares como sagrados. Sendo o sagrado reconhecido em suas manifestações, os lugares onde esta manifestação se deu ou se dá é considerado como um lugar especial, um lugar de profunda e intensa emanação espiritual ou, ainda, pode compreender um lugar onde o indivíduo realiza práticas de cunho religioso e busca o desenvolvimento de sua espiritualidade. Certas culturas religiosas, tais como, por exemplo, as indígenas, têm uma relação cotidiana com o que é sagrado. Já para outras tradições religiosas, o sagrado está em oposição ao profano. Tem-se aqui uma relação de opostos. O cristianismo, por exemplo, é uma religião que aponta constantemente para a existência de polaridades: Deus e diabo, lugares sagrados e lugares profanos, santidade e pecado, etc.

Todas as casas de reza da população indígena, igrejas dos cristãos, mesquitas islâmicas, sinagogas dos judeus, terreiros de candomblé e umbanda, Ashrams e templos hinduístas, entre outros, são exemplos de lugares sagrados construídos pela mão humana. Percebe-se que este traçado de arquitetura religiosa transmite, através de suas formas, o que está para além delas, configurando uma passagem para que se estabeleça, religue, o contato entre o mundo humano e o divino. Também são tidos como lugares sagrados algumas cidades. Sabe-se, entre outros casos, que todo islâmico deve fazer o possível para, pelo menos uma vez em sua vida, visitar a cidade sagrada de Meca. Jerusalém também se configura nos moldes de uma cidade sagrada, como também a cidade inca, construída com pedras, denominada Machu Picchu (Peru), entre outras.

Também são considerados lugares sagrados aqueles que se encontram na natureza e que para existir não sofreram a intervenção humana. O rio Ganges, por exemplo, para os hinduístas é um rio sagrado, no qual as pessoas se banham e realizam suas devoções a fim de receber a energia espiritual que lhes facultará uma vida de evolução.

A pajelança, ritual indígena, também é outra manifestação religiosa humana que se vale dos lugares sagrados da natureza. Certa cura ou certa passagem de estágio da vida pode advir do fato de a pessoa ficar em determinado lugar na natureza, onde receberá ensinamentos necessários e onde se realizará o seu processo de transformação.

Também há lugares sagrados configurados a partir da presença de certas coisas consideradas sagradas. Um exemplo disto é a árvore Baobá, árvore que os negros trouxeram para o Brasil no tempo da escravidão, é uma árvore sagrada para os candomblecistas. Esta árvore é considerada “planta da vida”, pois vive entre 700 a mil anos. Assim, para os candomblecistas, o espaço que ela ocupa se torna sagrado por conta de sua existência, pois adquire um significado sagrado, já que os remetem à consciência histórica de seus antepassados.

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